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sábado, julho 04, 2026

Agora sou uma perfumólatra nostálgica

Foto de Ahimsa - OM

Sinto saudades de quando eu tinha 20 anos e comecei a me interessar por perfumaria porque toda fragrância que eu conhecia era uma grande emoção pra mim. A sensação de conhecer perfumes como Poison, Revelar, Noa, Kriska, Chanel nº 5, Biografia, Dolce&Gabbana feminino (1992), Absinto, Dior Addict, Ototemo, Poême, Myriad, Classique Jean Paul Gaultier, Kaiak feminino, Kenzo Amour, Giorgio Beverly Hills, Lolita Lempicka, Flower by Kenzo, Fleurs de Cerisier, Angel, Gabriela Sabatini, Alien… é avassaladora.

E não era sobre comprar todos esses perfumes. Nem mesmo sobre gostar deles, já que passo mal com vários que citei acima. Era sobre sentir. Começava pelo nariz, mas iam além e me levavam a sensações inéditas, a lugares nunca visitados, a emoções que eu nunca soube nomear.

Por isso, era tão mais fácil pra mim escrever todas aquelas resenhas contando as minhas impressões. Eu tinha muitas impressões.

Claro que me encantei por vários perfumes nas últimas duas décadas, mas o impacto de ser arrebatada por uma fragrância é cada vez mais raro. Já faz uns anos que não me acontece.

Não culpo a idade, mas sim a experiência. Como já senti muitos perfumes, fica cada vez mais difícil encontrar algo original, que me maravilhe. Posso até gostar de uma fragrância recém-lançada, mas só porque é agradável, não porque me emociona.

Nem a onda dos perfumes árabes conseguiu me despertar algo diferente. Tudo que experimentei até agora só me causou enjoo, dor de cabeça mesmo e atordoamento.

Outro problema do excesso de experiência é que até encontrar perfumes que sejam apenas agradáveis ficou muito mais difícil. Antes eu gostava de escolher perfumes nas lojas, agora me contento em escolher perfumes no meu próprio armário para evitar a frustração.

Meus perfumes de hoje

Depois de sentir e usar de tudo, me tornei assídua nos florais. Nos últimos meses, tenho usado muito o Jardin des Roses, da Mahogany, o Dolce Amore, da Fiorucci, o Esta Flor Rosa, da Natura, e o Flower by Kenzo EDT (2021).

O Sabine da Natura, que uso com parcimônia porque provavelmente é o último frasco do planeta, aproveito aos fins de semana e em ocasiões especiais. Vale lembrar que Sabine, também conhecido como Cedro e Jasmim, foi a exata fragrância que despertou minha paixão por perfumaria, 20 anos atrás, aqui em Brasília, da primeira vez em que morei aqui.

Se quando eu era jovem não me via sendo uma pessoa com assinatura olfativa, agora percebo que consigo usar o mesmo perfume por várias semanas consecutivas, o que é o mais próximo que já cheguei de ter uma assinatura. Pelo menos por um mês, aquele é o meu cheiro.

Até o próximo post do Mastodon!



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